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Ensino Médio do PR tem um professor jovem para cada sete com 50 anos ou mais


Entre 2015 e 2025, mais que dobrou o número de professoras(as) do Ensino Médio regular com 60 anos ou mais na rede pública estadual paranaense. Os dados, extraídos do Censo Escolar, também mostram que para cada docente jovem, com idade de até 24 anos, existem sete com 50 anos ou mais. As estatísticas indicam que o sucateamento da profissão está contribuindo para o risco de faltar professoras(es), como alerta a segunda edição da pesquisa “Apagão dos Professores: o desafio da renovação dos professores no Brasil”, divulgada pelo Instituto Semesp neste mês.

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Para a presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto, os números confirmam as denúncias e cobranças feitas pela categoria. “Enfrentar esse problema exige valorizar a carreira, garantir condições dignas de trabalho, fortalecer os concursos públicos e assegurar uma política permanente de formação e valorização dos profissionais da educação. Mas o governador atual está mais preocupado com os números do Ideb que ele vai usar na propaganda e com a destinação dos recursos públicos para empresas lucrarem do que com a qualidade da educação de verdade”, afirma.

Segundo a pesquisa do Instituto Semesp, entre 2015 e 2025, o Brasil registrou um aumento de 6,6% no número de professoras(as) do Ensino Médio. Mas o cenário identificado por trás deste crescimento é lido com preocupação, pois é atribuído principalmente pela ampliação das contratações temporárias e incorporação de profissionais de faixas etárias mais elevadas. A queda de 31,1% no número de docentes de até 24 anos e o aumento de 104,5% entre as(os) profissionais com 60 anos ou mais sustentam a avaliação de que o índice de renovação do quadro de docentes e a precarização da profissão estão em níveis críticos.

Taxa de renovação docente

Um dos principais indicadores apresentados pela pesquisa é a chamada taxa de renovação docente, calculada a partir da relação entre professoras(es) de até 24 anos e aquelas(es) de 60 anos ou mais. Quanto menor essa taxa, maior o sinal de dificuldade de reposição do quadro. No Brasil, em 2015 havia praticamente um professor jovem para cada profissional com 60 anos ou mais. A taxa era de 0,95. Em 2025, o índice caiu para 0,32.

Utilizando os dados do Censo Escolar e aplicando a mesma metodologia do Instituto Semesp, o indicador apresentava situação positiva no Paraná, em 2015, com 1,2 professor jovem para cada docente com 60 anos ou mais. Já em 2025, a taxa caiu pela metade, despencando para 0,6. Ainda que o indicador estadual seja maior que o nacional, o resultado evidencia não só que houve uma piora em relação a dez anos atrás, mas também que a dificuldade de entrada de novas gerações na profissão é uma realidade que atinge de forma preocupante a rede pública estadual paranaense.

Para a presidenta da APP-Sindicato, é preciso ir além do que os números mostram. “É fundamental olhar tanto para quem está chegando quanto para quem está próximo da aposentadoria. Cobranças de metas absurdas e sobrecarga de trabalho no estágio probatório, assim como salários abaixo da realidade, carreira sem perspectiva de avanço e assédio institucional, são condições que não incentivam uma nova geração a escolher e permanecer no magistério”, avalia.

Menos jovens também nas licenciaturas

De acordo com o estudo do Instituto Semesp, o desafio começa antes mesmo da entrada na sala de aula. Os dados do Censo da Educação Superior mostram que, embora o número de ingressantes em licenciaturas tenha aumentado, houve mudança significativa no perfil etário dessas(es) estudantes.

Entre 2015 e 2024, a participação de ingressantes com até 24 anos caiu de 43,5% para 34,1%, enquanto a parcela com 30 anos ou mais aumentou de 39,2% para 48,8%. A pesquisa aponta que esse envelhecimento do perfil das(os) ingressantes é intensificado pela expansão da Educação a Distância (EAD).

Em 2024, as licenciaturas registraram cerca de 3,2 milhões de vagas, mas tiveram 1,6 milhão de candidatas(os) inscritos, 804 mil ingressantes e apenas 205,7 mil concluintes. A EAD concentrou 80,8% dos ingressantes e 90% das vagas ofertadas.

A pesquisa também chama atenção para a diferença entre as modalidades. Nos cursos presenciais, 66% dos ingressantes tinham até 24 anos em 2024. Na EAD, esse grupo representava apenas 26,5%, enquanto os estudantes com 30 anos ou mais correspondiam a 55,2%.

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Fonte:appsindicato.org.br

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