Aluno é agredido dentro de escola militarizada, em Ponta Grossa
Mais um caso de violência em uma escola militarizada chocou a rede pública de ensino na última sexta-feira (10). Um estudante foi espancado por um homem e um adolescente dentro de um colégio cívico-militar de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. O caso coloca mais uma vez o modelo em xeque, já que a bandeira número um do programa seria maior segurança.
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De acordo com informações do portal Banda B, uma equipe do 1º Batalhão da Polícia Militar do Paraná foi acionada para atender à ocorrência. Os agentes classificaram a ação como de alta complexidade.
Segundo informações da Polícia Civil do Paraná (PC-PR), um dos agressores seria um ex-estudante da unidade, que teria ido até o colégio cobrar a vítima por desavenças anteriores envolvendo uma suposta namorada. Ainda conforme a PC-PR, após o estudante reagir às agressões, o irmão mais velho do ex-aluno também passou a atacar a vítima, na tentativa de ajudar o autor.
Para escapar dos agressores, a vítima relatou à polícia que precisou se esconder na sala dos professores. Nas apurações, um adulto que acompanhava a situação conseguiu apartar a briga.
Sindicato condena falta de vigilância
A presidenta do Núcleo Sindical de Ponta Grossa, Rosângela de Anhaia, diz que o Sindicato está acompanhando o caso e cobrando mais informações. A dirigente reforça a contradição de que, em um modelo considerado “mais seguro” pelo governo, ocorra esse tipo de violência.
“Na propaganda, o governo Ratinho Jr. aponta as escolas cívico-militares como mais seguras do que a escola convencional, mas na prática não é o que estamos vendo. A violência contra um estudante dentro de um colégio que se dizia ‘blindado’, escancarada pela total falta de monitoramento dos próprios monitores militares, é a prova definitiva de que o modelo de Ratinho Jr. faliu. Militarizar a escola não traz segurança; apenas mascara os conflitos sob o autoritarismo”, afirma a presidenta.
A educadora reforça ainda que o modelo serve de cabide de emprego para militares aposentados(as), enquanto os(as) educadores(as) sofrem com a falta de valorização das carreiras. “Enquanto o governo despeja milhões em gratificações para policiais aposentados que falham em vigiar nossas crianças, as escolas seguem abandonadas, sem psicólogos nem assistentes sociais. Segurança de verdade não se faz com farda e omissão, mas ouvindo a comunidade escolar e investindo em educação de verdade”, completa.
Disparidade salarial e falta de qualificação
As escolas cívico-militares começaram a operar no Paraná em 2021, após consultas públicas marcadas por denúncias de autoritarismo. Atualmente, o Estado conta com 312 colégios militarizados, mantidos mesmo após o governo federal extinguir o Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares (Pecim) em 2023.
O modelo paranaense prevê a contratação de policiais e bombeiros militares aposentados para atuar no cotidiano escolar como monitores. Na prática, contudo, muitos atuam como “diretores militares”, sobrepondo-se à autonomia dos profissionais da educação.
O conflito estende-se também à remuneração: o governo estadual paga aos militares uma gratificação mensal de R$ 5,5 mil. O valor é superior ao piso dos professores da rede estadual (fixado em R$ 5,1 mil para 40 horas semanais) e dos funcionários de escola (Agentes II, com salário inicial de R$ 4.268,01), profissionais que, diferentemente dos militares, possuem formação acadêmica e qualificação pedagógica para lidar com o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Falência do modelo
Para a APP-Sindicato, a ocorrência desmascara o discurso governamental de que a presença de militares da reserva traria “paz e ordem” às escolas do Paraná. O sindicato tem denunciado de forma sistemática que o esvaziamento do suporte pedagógico, a falta de profissionais especializados(as) em saúde mental e a superlotação das salas de aula geram um ambiente de constante desgaste que a vigilância punitiva não consegue conter.
A entidade orienta toda a categoria a denunciar imediatamente casos de violência, assédio ou negligência institucional pelo Canal de Atendimento via WhatsApp (41 2170-2500) ou pelo e-mail denuncias@app.com.br.
Dossiê entregue ao MEC
Em abril, a APP-Sindicato entregou ao Ministério da Educação (MEC) um dossiê detalhando as violações de direitos humanos e a vulnerabilidade dos estudantes no modelo paranaense. O documento foi recebido pelo coordenador-geral de Articulação de Políticas, Benefícios e Condicionalidades do MEC, Rodrigo Luppi dos Passos.
A entidade cobrou a instituição de profissionais e protocolos rigorosos de proteção e controle social, além de uma investigação profunda sobre o programa no Paraná. O sindicato enfatiza que os entraves impostos pelo Estado para acessar informações e punir os agressores criam barreiras que comprometem a segurança dos alunos e fragilizam a confiança de toda a comunidade escolar.
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Fonte:appsindicato.org.br


































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































