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Espaço interativo resgata histórico de lutas da APP-Sindicato rumo aos 80 anos


Uma imersão profunda nos acontecimentos que moldaram a educação pública paranaense. Quem circula pelos pavilhões do Expotrade, em Pinhais, durante a 9ª Conferência Estadual de Educação da APP-Sindicato, é impactado por uma experiência que une história, arte e tecnologia. O Espaço Interativo Rumo aos 80 Anos foi elaborado para ser mais do que um local de passagem: trata-se de um manifesto estético e político sobre a memória da categoria, pensado detalhadamente para emocionar, mobilizar e valorizar os(as) educadores(as) de todo o Paraná.

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O ambiente foi formulado e construído pela coordenação da 9ª Conferência e pelo Grupo de Trabalho dos 80 anos. 

Daniel Popilnicki, secretário de Comunicação da APP-Sindicato e professor de Arte – Foto: Gelinton Cruz – APP-Sindicato

“Pensar a comunicação da APP para esta Conferência foi um exercício de tradução estética da nossa própria identidade. Não vemos a nossa história como algo defasado, mas como uma matéria-prima visual que precisa dialogar com o presente. Quando esboçamos as primeiras ideias, pensamos que cada professora(o) e funcionária(o) de escola  se enxergasse dentro da obra. A tecnologia dos LEDs e a interatividade da cápsula não são meros adornos; são ferramentas pedagógicas para despertar o orgulho de pertencer a uma das maiores entidades sindicais da América Latina. Estamos materializando em formas, luzes e memórias o fio condutor que nos trouxe até aqui, a luta em defesa da escola pública e que nos guiará rumo ao centenário em 2047”, destaca o secretário de Comunicação da APP-Sindicato, Daniel Popilnicki. 

Luz, história e resistência

A jornada dos(as) participantes começa em uma detalhada Linha do Tempo das Conferências, estruturada com triedros integrados que exibem as resoluções e os caminhos pedagógicos traçados pela categoria ao longo das últimas décadas.

Participantes percorrem a linha do tempo das conferências e revivem as décadas de resoluções e caminhos pedagógicos da categoria – Foto: Gelinton Cruz – APP-Sindicato

Logo em seguida, o público ingressa no Túnel do Tempo. O local provoca uma forte experiência sensorial ao remontar os episódios mais emblemáticos de  resistência da APP-Sindicato através de uma linha expográfica impactante:

Ditadura militar: O resgate da corajosa atuação e organização camuflada dos(as) educadores(as) sob as amarras do regime autocrático;

30 de Agosto de 1988: A dor e a indignação do histórico confronto em que o governo de Álvaro Dias reprimiu violentamente a categoria com o uso de cavalaria e cães;

29 de Abril de 2015: A memória do trágico massacre no Centro Cívico, quando o governo de Beto Richa ordenou o bombardeio policial com bombas e balas de borracha contra o funcionalismo;

Trincheira atual: O cenário contemporâneo de enfrentamento, no qual professores(as) e funcionários(as) travam uma batalha diária nas ruas e nas salas de aula contra o projeto de desmonte, militarização e privatização liderado pelo governador do estado, Ratinho Jr.

O ápice visual da instalação se dá no setor rumo aos 80 Anos, que conta com um conjunto monumental de 10 livros gigantes equipados com telas de LED de alta definição. As páginas virtuais projetam imagens históricas de marchas, greves, conquistas salariais e congressos, prova de que a história da APP-Sindicato foi escrita coletivamente, linha por linha, pela classe trabalhadora. 

Helena Kolody: A poesia que abraça a luta

Ao final do circuito, a luz fria dos LEDs dá lugar ao calor da memória e do afeto. O espaço dedicado a Helena Kolody foi desenhado como um portal para a essência do que significa ser educador(a). Ao reproduzir a clássica e eterna cena de uma formatura antiga, com uma mesa de madeira e a imagem da icônica poetisa e professora paranaense, a instalação ganha contornos de um abraço acolhedor. 

Foto: Gelinton Cruz – APP-Sindicato

A homenagem lembra que aquela que encantou o Brasil com seus haicais e versos também esteve firmemente nas trincheiras da APP-Sindicato. Ela coordenou o Departamento Cultural da entidade entre os anos de 1971 e 1973 e foi responsável, junto com Célia Barbosa, pela letra do Hino da Associação dos Professores do Paraná, com música de Mário Garau.

Cápsula do tempo ficará disponível para receber novas contribuições na sede estadual da APP-Sindicato, em Curitiba, até o aniversário de 80 anos, em 2027 – Foto: Gelinton Cruz – APP-Sindicato

No local, os(as) participantes podem registrar o momento e levar para casa uma foto de revelação instantânea com moldura exclusiva em celebração à 9ª Conferência. Entre um clique e outro, os(as) educadores(as) não apenas registram o presente, mas absorvem a sensibilidade de uma mulher que provou que a resistência também se faz com doçura. A instalação lembra a cada professor(a), pedagogo(a) e funcionário(a) de escola que a história da categoria é escrita com garra, mas também com sensibilidade estética, o que humaniza e reforça que a educação é pública, democrática, crítica e emancipadora. 

Foto: Gelinton Cruz – APP-Sindicato

É também nesse ambiente que repousa a Cápsula do Tempo, um elo direto com as próximas gerações. Durante os três dias de Conferência, fica o convite para que os(as) participantes depositem mensagens escritas em resposta a uma provocação central: “Como você imagina a escola pública do futuro?”. 

A dinâmica da cápsula seguirá um cronograma histórico:

Inauguração e coleta: Aberta oficialmente durante a 9ª Conferência no Expotrade.

Permanência: Ficará disponível para receber novas contribuições na sede estadual da APP, em Curitiba, até o aniversário de 80 anos do sindicato, em 2027.

Lacre e abertura: Será lacrada em 2027 e permanecerá fechada por duas décadas, com abertura agendada apenas para 2047, ano em que a APP-Sindicato completará o seu centenário.

Celebrar a memória, para a direção da APP-Sindicato, é abastecer os motores da luta presente. O olhar para o retrovisor da história através da arte e da tecnologia fortalece a categoria para os desafios que se impõem nas instâncias da escola e nas trincheiras políticas do Paraná. O legado da APP-Sindicato reforça que humanizar a educação significa a defesa de pessoas, direitos, autonomia pedagógica e condições dignas de trabalho.

Foto: Gelinton Cruz – APP-Sindicato

Defender o legado da poeta e professora é, portanto, defender a escola pública e a soberania da nossa cultura: “Festa das lanternas! / Os ipês se iluminaram…”. Em tempos cinzentos, a poesia de Helena Kolody segue como o farol que convida cada um a acender as próprias lanternas em defesa da educação pública e a resistir.

Confira a programação do último dia (12)  

Domingo – 12/07/2026

9h – Apresentação Cultural 

9h30 – Plenária Final / Apresentação da Conferência Infantil (Conferencinha)

13h – Encerramento / Almoço

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Fonte:appsindicato.org.br

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