#Escola Particular

Paraná tem o 3º pior ritmo de investimento em educação do país


O governo do Paraná está entre os três piores do país no ritmo de investimento na educação pública. É o que revela uma nota técnica elaborada pela assessoria econômica da APP-Sindicato, com base em dados do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi).

>> Receba notícias da APP no seu Whatsapp ou Telegram 

Intitulado “O subfinanciamento da Educação no Paraná (2018–2025)”, o levantamento mostra que, enquanto o conjunto das unidades da Federação aumentou os gastos com educação em 111,9% em média no período, o Paraná registrou uma elevação de apenas 76,1% — 35,8 pontos percentuais abaixo da média nacional.

A tabela completa do ranking, com os valores nominais por unidade federativa, consta da página seguinte.

Como resultado, o estado que ostentava o terceiro maior orçamento educacional do país em 2018 despencou para a 25ª posição na evolução dos aportes.

“Ao priorizar o orçamento para a compra de plataformas privadas, terceirizações e projetos de privatização em detrimento da valorização do pessoal, o governo cobra um custo social devastador da educação pública. Quem paga a conta é a categoria, que padece com defasagem salarial, sobrecarga, adoecimento e a extrema precarização via contratos temporários, e os próprios estudantes”, critica a presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Olegário Mazeto. 

Valores em reais (R$), despesa na função Educação. Fonte: Siconfi.

Rank UF Despesa 2018 (R$) Despesa 2025 (R$) Variação (R$) Var. %
1 AL 794.823.083 3.096.606.273 2.301.783.190 289,6%
2 PE 2.959.287.374 8.713.923.146 5.754.635.772 194,5%
3 RR 535.638.564 1.549.166.621 1.013.528.057 189,2%
4 ES 1.366.335.975 3.910.034.565 2.543.698.590 186,2%
5 SC 3.304.637.279 8.913.213.173 5.608.575.895 169,7%
6 BA 5.025.416.038 13.152.710.092 8.127.294.054 161,7%
7 PA 3.546.675.919 8.960.962.693 5.414.286.774 152,7%
8 RN 1.389.656.242 3.441.547.353 2.051.891.111 147,7%
9 RO 1.174.121.120 2.891.055.691 1.716.934.572 146,2%
10 SE 966.603.073 2.325.305.927 1.358.702.854 140,6%
11 CE 3.263.912.973 7.270.117.792 4.006.204.819 122,7%
12 AC 1.325.786.513 2.916.859.747 1.591.073.234 120,0%
13 AM 2.884.718.221 6.276.931.362 3.392.213.141 117,6%
14 SP 33.481.869.080 71.636.064.727 38.154.195.647 114,0%
15 RS 4.013.942.482 8.519.039.651 4.505.097.170 112,2%
16 MA 2.855.582.006 6.054.574.540 3.198.992.534 112,0%
17 AP 1.072.566.344 2.242.656.315 1.170.089.971 109,1%
18 PI 1.608.481.983 3.317.481.117 1.708.999.134 106,2%
19 MS 1.805.036.433 3.668.430.711 1.863.394.278 103,2%
20 TO 1.261.403.702 2.553.325.558 1.291.921.855 102,4%
21 MT 2.796.153.789 5.649.661.077 2.853.507.288 102,1%
22 MG 9.849.272.725 19.119.769.089 9.270.496.364 94,1%
23 PB 2.197.971.672 3.960.935.616 1.762.963.943 80,2%
24 DF 4.412.247.925 7.898.024.128 3.485.776.203 79,0%
25 PR 9.512.106.949 16.752.743.100 7.240.636.151 76,1%
26 GO 4.465.912.848 7.313.502.795 2.847.589.947 63,8%
27 RJ 6.747.982.958 10.753.230.622 4.005.247.664 59,4%
TOTAL / MÉDIA 114.618.143.271 242.857.873.483 128.239.730.212 111,9%

Linha destacada: Paraná (25º). Última linha: total/média das 27 unidades.

Bilhões a menos

O estudo aponta que, caso o estado tivesse acompanhado a média nacional, a educação paranaense teria recebido cerca de R$ 20,2 bilhões em 2025. No entanto, o montante efetivamente aplicado foi de R$ 16,8 bilhões. A diferença representa R$ 3,4 bilhões a menos investidos nas escolas, na infraestrutura e na valorização dos profissionais da rede em um único ano.

O fraco desempenho paranaense contrasta com o de estados vizinhos da Região Sul, como Rio Grande do Sul (112,2%) e Santa Catarina (169,7%), o que demonstra que a estagnação local não decorre de crises fiscais regionais, mas de uma escolha política de prioridades.

Além disso, ao descontar a inflação acumulada do período (50,6%), o crescimento real do gasto paranaense cai para escassos 17% em sete anos — contra 41% da média nacional. Na prática, o poder de compra da rede estadual estagnou, sufocando o atendimento a demandas históricas da categoria.

Segundo Walkiria, esse sufocamento estrangula a infraestrutura das escolas, a merenda, o transporte e o apoio pedagógico. “Não existe qualidade de ensino sem valorização, dignidade e estabilidade para quem está na sala de aula. Valorizar o profissional da educação é a única precondição real para combater a desigualdade”, insiste Walkiria.

Para a dirigente, reverter esse cenário exige recompor o orçamento em patamares equivalentes ao menos à média nacional, pactuando um plano plurianual focado em infraestrutura, aprendizagem e valorização profissional. Isso inclui a recomposição salarial, o cumprimento do piso nacional, o fim da precarização e o envio do projeto de lei de equiparação do quadro de funcionários (QPM/QPPE) à Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep).

Desvio de finalidade

A nota técnica também joga luz sobre o uso das verbas federais. Embora o governo comemore a liderança no recebimento da complementação do Valor Aluno Ano Resultado (VAAR) do Fundeb — com R$ 620,6 milhões recebidos —, os recursos não têm sido revertidos para quem faz a educação acontecer.

Dados da própria gestão apontam que, do montante do VAAR no exercício de 2025 (cerca de R$ 530 milhões), R$ 250 milhões foram destinados a serviços de terceiros e pessoas jurídicas, irrigando projetos como o Parceiro da Escola. Outros R$ 52 milhões foram direcionados a serviços de tecnologia da informação, incluindo plataformas digitais pagas.

Para o economista da APP-Sindicato, Cid Cordeiro, essa política drena recursos públicos valiosos:  “Os indicadores de qualidade da educação são construídos pelos educadores em sala de aula. Contudo, esse recurso extra está sendo drenado pela terceirização, o que precariza as relações de trabalho. O governo aproveita o bom desempenho da escola pública para alimentar um modelo que, paradoxalmente, tende a piorar a qualidade do ensino no futuro.”

>> Confira a nota técnica “O subfinanciamento da Educação no Paraná (2018–2025)” <<

:: Leia também:

>> Ratinho volta a fechar turmas; APP-Sindicato aciona MP-PR

>> A conta não fecha: Estado lucra com bônus do governo federal enquanto educadores(as) amargam com 3º pior salário do país

>> Seed recebe prêmio de gestão criado pelo próprio governo, mas paga aos(às) professores(as) um dos piores salários do país

O post Paraná tem o 3º pior ritmo de investimento em educação do país apareceu primeiro em APP-Sindicato.



Fonte:appsindicato.org.br

Paraná tem o 3º pior ritmo de investimento em educação do país

Mergulhado em crise, BRB paga R$ 240

Publicações – Nº 59 – APEOESP NÃO