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O legado de Paulo Freire na luta por emancipação da educação brasileira


Neste ano de 2026, em que o Brasil celebra os 105 anos de nascimento de Paulo Freire (1921–1997), a memória do Patrono da Educação Brasileira renova a mobilização da APP-Sindicato por uma escola pública, gratuita, laica e emancipadora. Inspirada em seu legado de conscientização e justiça social, a entidade reafirma o combate à privatização e ao assédio moral, com a defesa de pautas históricas como a valorização profissional, o cumprimento do piso salarial nacional, a efetivação do Plano Estadual de Educação e condições dignas de trabalho e saúde para a categoria.

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”Homenagear Paulo Freire é mais do que rememorar sua história. É manter viva sua obra, ressignificar seus ideais diante dos desafios contemporâneos da educação pública e garantindo que o ato de ensinar siga fundamentado na gestão democrática, no rigor técnico e na justiça social. Como ensinava o patrono, as transformações educacionais e sociais não acontecem de forma passiva: são fruto de organização, engajamento coletivo e esperança ativa no presente”, enaltece a presidenta da APP-Sindicato, professora Walkiria Mazeto.

A práxis freiriana nas lutas da APP-Sindicato

Para a direção da APP-Sindicato, o resgate das ideias do filósofo ganha ainda mais relevância no cenário atual e no ano eleitoral, em que a memória do educador recifense também convoca trabalhadoras(es) da educação a exercerem a cidadania ativa nas urnas. Essa mobilização visa eleger candidaturas verdadeiramente comprometidas com a escola pública e contrárias ao desmonte das carreiras do magistério e das(os) funcionárias(os) de escola.

“A matriz de pensamento de Paulo Freire é um pilar histórico na trajetória da APP-Sindicato. Ela fundamenta nossa resistência contra tentativas de controle ideológico, defasagem salarial e desmonte da rede pública, desde a perseguição aos sindicatos durante a ditadura civil-militar até as recentes investidas autoritárias de governos como os de Ratinho Jr. e Beto Richa, que tentaram silenciar a comunidade escolar no Paraná”, contextualiza a secretária Educacional da APP-Sindicato, professora Cida Reis.

Na visão do sindicato, o pensamento de Paulo Freire não se limita à teoria acadêmica; ele habita o ambiente escolar, ecoa nas assembleias lotadas, nas marchas históricas e na defesa incansável de que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”, princípio consagrado em sua obra Pedagogia da Autonomia (1996).

Na prática cotidiana da categoria, a pedagogia do oprimido se traduz na recusa direta à “educação bancária”, utilitarista e mercantilizada que governos estaduais tentam impor. “Quando a categoria se levanta contra a precarização das condições de trabalho, contra o corte de investimentos nas disciplinas de humanidades ou na defesa intransigente da gestão democrática e dos conselhos escolares, o que está em jogo é exatamente o legado freiriano: a convicção de que a escola deve formar sujeitos críticos, autônomos e capazes de transformar a realidade”, destaca Cida.

Trajetória e reconhecimento global

Formado em Direito, Paulo Freire encontrou no magistério e na educação popular sua verdadeira vocação. Em 1963, em Angicos (RN), chefiou uma experiência histórica ao alfabetizar 300 trabalhadores em apenas 45 dias, utilizando como ponto de partida a realidade social e o universo vocabular dos próprios estudantes.

Nomeado pelo Ministério da Educação no governo João Goulart para liderar a Comissão de Cultura Popular e o Programa Nacional de Alfabetização, Freire planejava levar o método a 16 milhões de adultos em todo o país. O projeto, contudo, foi interrompido pelo golpe civil-militar de 1964, que o prendeu por 70 dias e o forçou ao exílio.

No exílio, com passagens pelo Chile, Estados Unidos e Suíça, escreveu sua obra máxima, Pedagogia do Oprimido (1968), e difundiu suas práticas libertadoras em diversos países. De volta ao Brasil com a anistia em 1979, integrou a vida acadêmica e atuou como Secretário Municipal de Educação de São Paulo entre 1989 e 1991.

Reconhecido mundialmente, Freire recebeu o título de doutor honoris causa em 28 universidades e é o terceiro pensador mais citado em trabalhos acadêmicos das ciências humanas no mundo, segundo levantamento da London School of Economics (LSE).

Obras para compreender e praticar a educação crítica

A produção de Paulo Freire traz as bases teóricas e práticas para quem acredita no papel transformador da escola.

Para Cida Reis, a práxis do patrono se consolida no equilíbrio entre o afeto e a firmeza política. “Paulo Freire nos lembra que educar exige amorosidade e compromisso com nossos estudantes, mas exige também postura de combate. Como ele registrou em Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar (1993), não é possível ser professora sem lutar por direitos para que os próprios deveres sejam cumpridos”, pontua Cida Reis.

Confira no Instagram da APP-Sindicato (https://www.instagram.com/appsindicato/) a síntese dos principais livros do patrono.

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Fonte:appsindicato.org.br

O legado de Paulo Freire na luta por emancipação da educação brasileira

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