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Investigações reforçam sensação de “mar de lama” no eleitor, avalia Eurasia


As denúncias de corrupção que atingem os campos políticos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tendem a reforçar uma percepção negativa entre os eleitores e podem influenciar o cenário da disputa eleitoral, segundo avaliação de Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do grupo Eurasia.

Em entrevista ao WW, da CNN Brasil, Garman afirmou que os episódios envolvendo os dois lados criam uma sensação de deterioração generalizada no debate político. “Acho que isso acaba reforçando uma sensação de mar de lama no eleitorado como um todo”, disse.

Segundo ele, as denúncias podem ser exploradas pelas campanhas dos dois principais campos políticos durante a eleição. “Tanto a campanha do PT vai ter material para tentar acusar o senador Flávio Bolsonaro de associação com o Daniel Vorcaro, e a campanha do Flávio vai ter material também para denunciar a corrupção do lado do presidente”, afirmou.

Para Garman, a disputa pelo tema da corrupção tende a produzir um equilíbrio negativo entre os adversários. “Se a gente olha numa competição entre esses dois, eu acho que é um nivelamento por baixo e nenhum vai ter uma vantagem sobre o outro, sobre o tema de corrupção”, avaliou.

O diretor da Eurasia destacou que pesquisas recentes apontam uma mudança na percepção dos eleitores sobre suas principais preocupações. Segundo ele, segurança e corrupção aparecem como temas centrais, mas a preocupação com irregularidades ganhou força nos últimos meses.

“Quando a gente olha as pesquisas nacionais, e você pergunta para o eleitor qual a sua principal preocupação, duas preocupações se destacam: segurança e corrupção”, destacou.

“Nos últimos quatro meses, os institutos mostraram crescimento da preocupação com corrupção e um declínio, em média, do tema de segurança. Então, corrupção está se transformando numa principal preocupação eleitoral”, acrescentou.

Na avaliação de Garman, o desgaste dos dois principais grupos políticos pode abrir espaço para uma candidatura alternativa no campo da direita. Ele afirmou que pesquisas qualitativas indicam perda de força tanto do lulismo quanto do bolsonarismo entre parte do eleitorado.

“Acho que isso é um coringa da eleição que pode ter uma surpresa. É difícil apostar nesse cenário, mas eu acho que, quando você tem um eleitorado com um certo desgaste das duas grandes forças políticas, e eu acho que isso é novidade, pesquisas qualitativas mostram que lulismo e bolsonarismo estão desgastados”, concluiu. 



Fonte:www.cnnbrasil.com.br

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