Educadores(as) aprovam calendário de lutas para o segundo semestre
Educadores e educadoras aprovam pauta de lutas para o segundo semestre durante a Assembleia Estadual da APP-Sindicato. Realizada durante a manhã deste sábado, (1º) de forma on-line, a assembleia definiu os rumos das mobilizações da categoria no segundo semestre, além de traçar os objetivos de enfrentamento às recentes medidas governamentais.
>> Receba notícias da APP no seu Whatsapp ou Telegram
“Estamos caminhando para o último semestre do governo com uma política marcada e explícita, dita no seu plano de governo: a defesa da terceirização e da privatização. Quando elas compõem a centralidade do governo, demonstram como os recursos e o Estado são geridos. O que nós vivenciamos nestes últimos 8 anos e que se estende por 16, desde Beto Richa, não foi por acaso. Tudo foi planejado, pensado e elaborado por quem acha que essa é a forma correta de fazer a gestão do Estado”, aponta a presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Olegário Mazeto.

A principal frente de luta será a defesa da educação durante o período eleitoral, onde educadores(as) deverão focar os esforços em cobrar de candidatos(as) ao Executivo e Legislativo um compromisso com uma escola pública humanizadora, democrática e de qualidade. Como início desta ação, será entregue aos(às) candidatos a carta compromisso, que foi aprovada na 9ª Conferência Estadual da Educação, realizada em julho.
Foi definido ainda que as ações ganharão força nos dias 29 e 30 de agosto, encerrando um período de intensos debates nas escolas dedicados ao balanço da atual gestão. Para dar ampla visibilidade a essas reivindicações, o dia 29 (sábado) contará com panfletagem à população em locais de grande circulação — a exemplo da tradicional Boca Maldita, em Curitiba —, culminando em uma grande mobilização on-line programada para o dia 30.
Também será feita a cobrança por alterações na resolução da Gratificação de Tecnologia e Ensino (GTE), que pune trabalhadores(as) com afastamentos médicos. O objetivo é a retirada imediata de pontos punitivos direcionados a servidores(as) que necessitam de licenças de saúde.
No âmbito pedagógico e estrutural, o sindicato exige o fim do Programa de Acompanhamento Pedagógico e pleiteia a ampliação da carga horária para as disciplinas de Humanas, além do retorno da Língua Espanhola na matriz curricular e no CELEM, com oferta exclusivamente presencial. Os(as) educadores(as) também indicaram a luta pela manutenção de turmas, turnos e oferta das modalidades, contrariando a política de fechamento imposta pelo governo Ratinho.
O Secretário Executivo da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+, Clodoaldo Beraldo Antunes, enfatiza que a organização é fundamental neste momento de lutas.
“É fundamental que estejamos organizados, analisando atentamente as propostas e promovendo o debate em todas as regiões. Qualquer espaço é oportuno para discutirmos nossa pauta política, que é de extrema relevância para o sindicato e para os profissionais da educação”, ressalta.

PSS e concurso público
A categoria deve intensificar a luta contra o atual modelo do Processo Seletivo Simplificado (PSS), exigindo sua alteração urgente frente a imposições preocupantes, como as do Edital nº 52/2026.
Um dos pontos mais críticos do documento é a exigência da PND. A medida obriga professores(as) e pedagogos(as) a realizarem mais uma prova apenas para concorrer a um contrato temporário, agravando os gastos financeiros e exigindo ainda mais tempo de preparação e desgaste da categoria.
No que diz respeito aos critérios de classificação, embora a Secretaria de Estado da Educação (Seed) tenha recuado e alterado a pontuação atribuída ao magistério (anteriormente fixada em 8 pontos), a APP-Sindicato defende a remoção total desse item. Vale ressaltar que o magistério é um curso técnico de nível médio, o que contrasta diretamente com a exigência de formação em nível superior para o exercício da docência no Estado.
O Sindicato aponta também que a PND não contém provas específicas para as modalidades da Educação Especial e Profissional, uma grave falha que deve gerar o desvirtuamento do processo de seleção para esses profissionais.
Diante desse cenário, esta frente de mobilização cobrará firmemente do governo a imediata alteração do modelo de seleção do PSS, a realização de novos chamamentos para o concurso público de professores(as) e a abertura de uma nova turma para o Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE).
De olho nas Eleições 2026
Com as eleições gerais marcadas para os dias 4 e 25 de outubro, a categoria definiu uma estratégia de incidência política direta. Entre agosto e setembro, a APP-Sindicato fará a entrega de uma “Carta Compromisso da Educação” aos(às) candidatos(as) ao Executivo e ao Legislativo, exigindo comprometimento oficial com as pautas aprovadas, em sintonia com as diretrizes consolidadas na recém-realizada 9ª Conferência Estadual de Educação da entidade.
Walkiria reforça que é fundamental que a categoria se coloque na frente da luta para garantir um projeto político que lute pela educação pública, valorizando trabalhadores(as), melhorando os recursos para as escolas públicas e garantindo uma educação democrática, plural e libertadora.
“É fundamental que nos imbuamos da missão de conquistar cada voto — um a um — para transformar o cenário político do Paraná. Essa mudança é plenamente possível, desde que não nos deixemos abater por um pessimismo paralisante, que sugere que a situação é irreversível. Devemos recordar que eleições não se definem por pesquisas, nem pela manipulação de informações em redes sociais, ambientes frequentemente saturados por campanhas com alto investimento financeiro e visibilidade artificial”, completa a presidenta.
Já a secretária executiva de Comunicação, Cláudia Gruber, salienta que os(as) trabalhadores(as) devem aproveitar a ampla capilaridade por todo o estado, para garantir representantes legítimos da educação.
“Não devemos nos submeter a esse cenário. É essencial ressaltar que o sindicato está presente nos 399 municípios do estado, alcançando todas as escolas da rede. Essa capilaridade é um diferencial estratégico para promovermos mudanças efetivas”, finaliza.

Agosto de mobilizações intensas
O calendário aprovado promete colocar os(as) educadores(as) em evidência tanto nas escolas quanto nas ruas e corredores políticos.
Já no dia 7 de agosto, Dia da(o) Funcionária(o) de Escola, as unidades de ensino pautarão o combate à terceirização e a urgência de novos concursos públicos. Desde 2020 os(as) trabalhadores(as) empregam uma luta intensa contra a medida de Ratinho Jr, que extinguiu e desvalorizou a carreira desses(as) trabalhadores(as) e aprofundou a disparidade destes profissionais com os(as) demais servidores(as) de mesmo nível. A luta cobrará a volta dos concursos para Agentes I e II e condições dignas de trabalho.
O escopo das pautas se amplia para o cenário nacional no dia 11 de agosto, quando representantes participarão de um ato no Senado Federal, em Brasília, exigindo a aprovação do Projeto de Lei nº 2.531/2021, que institui o Piso Nacional dos(as) funcionários(as) da educação.
Nos dias 29 e 30 de agosto, a mobilização ganha as ruas dos municípios paranaenses com ações de diálogo e panfletagem junto à população — incluindo o ato na tradicional Boca Maldita, em Curitiba.
Confira o calendário de lutas:
- Caravana da Educação: Intensificação do trabalho de base.
- 07 de agosto: Dia da(o) Funcionária(o) de Escola. A data será marcada por debates nas escolas sobre a condição das(os) funcionárias(os), manifestações contra a terceirização, defesa do concurso público e realização dos coletivos regionais.
- 10 de agosto: Dia Nacional de Mobilização e de Luta pelo Fim da Escala 6×1.
- 11 de agosto: Mobilização nacional no Senado Federal, em Brasília, em defesa do Piso Nacional das(os) funcionárias(os) da educação (PL nº 2.531/2021).
- 29 e 30 de agosto: O mês será de debates nas escolas com um balanço do atual governo e propostas para o próximo período. No dia 29, haverá panfletagem à população em locais de grande circulação (como a Boca Maldita, em Curitiba), seguida por uma mobilização geral nas redes sociais no dia 30.
- Agosto e Setembro: Entrega da “Carta Compromisso da Educação” para as(os) candidatas(os) ao Executivo e Legislativo nas esferas estadual e federal, focando na negociação das pautas prioritárias da categoria.
- 4 e 25 de outubro: Acompanhamento e atuação no primeiro e segundo turnos das eleições gerais de 2026.
Na abertura da Assembleia Estadual, a secretária de Funcionárias(os) de Escola, Nádia Brixner, fez a leitura de um poema feito por uma educadora da rede estadual, denunciando a pressão, assédio e a exaustão que os(as) profissionais da educação sofrem no dia a dia das escolas. A identidade da autora foi preservada para evitar perseguições.
ENEM
ENEM nos avisaram que:
Os estudantes não querem fazer a prova.
ENEM nos avisaram que:
Os estudantes não sabem fazer a redação.
ENEM nos avisaram que:
A desvalorização dos profissionais da Educação, perpassa por um ponto delicado que é a valorização do conhecimento.
ENEM nos avisaram que:
Que a exaustão dos professores compromete o aprendizado do estudante.
ENEM nos avisaram que:
Que é preciso contextualização e tese para formar um caminho coerente na proposta de intervenção para o saber.
ENEM nos avisaram que:
O primeiro lugar da Educação no Brasil – está, na verdade, em vigésimo quinto lugar.
ENEM nos avisaram que:
Que fazemos parte de um “todo” – e sem, o devido reconhecimento desses profissionais, não tem como subir o IDEB.
ENEM nos avisaram que:
Quando atropelamos tudo na escola – para cumprir “as metas” não formamos pessoas protagonistas de suas próprias vidas.
ENEM nos avisaram que:
Os descritores do processo educacional, podem ser, na verdade, os distratores da Educação.
Mas eu quero avisar que:
Eu estou junto com todos vocês!
Mas eu quero avisar que:
Eu sempre darei o meu “melhor” em sala de aula.
Mas eu quero avisar que:
Que juntos podemos encontrar “propostas de intervenção” para melhorar essa colocação.
Mas eu quero avisar que:
Eu vou “melhorar meu repertório” para apresentar a importância do conhecimento.
Mas eu quero avisar que:
Eu acredito em meus alunos (as).
Mas eu quero avisar que:
Eu preciso ter essa “esperança”, porque, caso contrário:
EU NEM consigo entrar na escola.
► Leia também:
>> Pesquisa CNTE-FGV investiga impactos da polarização na escola pública
>> Cartilha de Enfrentamento ao Assédio Moral Institucional na Educação Pública do Paraná
>> Professora expõe fórmula da Seed: maquiagem de metas e exaustão
>> Educação destina R$ 156 milhões para gratificações de militares no PR
O post Educadores(as) aprovam calendário de lutas para o segundo semestre apareceu primeiro em APP-Sindicato.
Fonte:appsindicato.org.br













































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































