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Formação de educadoras auxilia no enfrentamento da violência de gênero


A luta das mulheres da educação contra o avanço do machismo, do assédio e do feminicídio exige políticas públicas que as protejam, na prática, de qualquer tipo de violência e em todos os espaços. A secretária da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+ da APP-Sindicato, professora Tatiana Nanci da Maia, reforça que o combate à violência patriarcal exige articulação permanente, formação da categoria e estruturas públicas de amparo às vítimas.

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A mobilização contra a opressão de gênero avança na formulação política e na segurança das comunidades escolares. Na última Plenária das Mulheres da Educação, realizada durante a 9ª Conferência Estadual de Educação da APP-Sindicato, a categoria organizou a resistência para derrotar os retrocessos impostos pelo governo estadual e reafirmou a defesa da escola pública como espaço de emancipação e igualdade.

Além disso, o sindicato estende o debate sobre a proteção integral para as novas fronteiras da criminalidade de gênero. Diante do aumento de ameaças virtuais, assédios digitais e vazamento de dados que vitimizam estudantes e educadoras, a APP-Sindicato debate a proteção virtual e o cotidiano escolar com foco no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital. O objetivo é instrumentalizar a categoria para a identificação e o combate às violências que nascem nas redes e desaguam no dia a dia das escolas.

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Desafios estruturais

A precariedade da atual rede de proteção reflete a negligência política de gestores municipais, como explica Tatiana Nanci. No Paraná, por exemplo, menos da metade dos municípios tem uma Secretaria da Mulher constituída, embora a maioria ainda mantenha o Conselho de Direitos das Mulheres ativo.

Segundo ela, a criação de uma secretaria específica é um passo urgente. Sem essa estrutura administrativa, as prefeituras ficam impedidas de acessar recursos federais fundamentais, como o programa do “carro Babaloo“, veículo estruturado para o atendimento e deslocamento seguro de vítimas de violência doméstica. 

“A omissão dos prefeitos em não institucionalizar essas pastas perpetua a vulnerabilidade das mulheres no interior do estado”, afirma Tatiana.

Memória, acolhimento e realidade 

A urgência dessas pautas ficou expressa em ações recentes na capital, como a Tenda Lilás; uma iniciativa realizada pelo Ministério das Mulheres na Boca Maldita, em Curitiba. O espaço funcionou como território de escuta qualificada e orientação jurídica especializada com o apoio das educadoras da APP-Sindicato.

União e resistência: mulheres da educação ocupam a Boca Maldita na Tenda Lilás com a exigência de orçamento real, políticas públicas efetivas e o fim dos feminicídios. Foto: APP-Sindicato.

Os bastidores desse atendimento revelaram o labirinto burocrático que as vítimas enfrentam após a separação. Mesmo sob o amparo de uma medida protetiva legal, uma das mulheres acolhidas sofreu sucessivos atos de violência e não se sentiu devidamente amparada ao procurar ajuda.

Os crimes previsíveis contra as mulheres evidenciam a falência das políticas públicas, conforme relatos expostos na Tenda Lilás. Essas brutalidades cotidianas incluem a crueldade nas ruas, com mulheres atropeladas e arrastadas por ex-companheiros; a barbárie oculta, marcada por estrangulamento, agressão fatal e ocultação de cadáver; e a invasão escolar, com casos trágicos de morte dentro de instituições de ensino que deveriam ser seguras. 

Tatiana menciona que a violência de gênero traz recortes ainda mais profundos e cruéis no estado. “O descaso com as mulheres em situação de rua, segmento que sofre com a total ausência de amparo e proteção, escancara a falta de uma política pública efetiva. Sem acesso sequer aos canais básicos de denúncia, essa população fica exposta a abusos constantes”.

Para a dirigente da APP-Sindicato, o direito à vida e à segurança deve alcançar todas as paranaenses, sem distinção de classe ou condição social. “A violência contra a mulher é um problema estrutural. Medidas urgentes, como a aplicação rigorosa da Lei do Feminicídio e o fortalecimento do tripé formado pelo Conselho da Mulher, Defensoria Pública e Delegacia Especializada, são indispensáveis para salvar vidas”, finaliza Tatiana.

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Como buscar ajuda e denunciar

Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher. Canal federal gratuito, sigiloso e disponível 24 horas por dia;

Delegacia da Mulher (DEAM): Busque a unidade especializada mais próxima de sua residência para o registro de ocorrências e pedidos de medida protetiva;

Ligue 190: Polícia Militar – canal exclusivo para situações de emergência e flagrante agressão;

NUDEM (Defensoria Pública): O Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres oferece orientação jurídica gratuita para mulheres em situação de vulnerabilidade.

>> Painel da Rede de Atendimento do Ministério das Mulheres

O recado das educadoras em todos os espaços é categórico: nenhum governo calará a voz das mulheres. A APP-Sindicato manterá a mobilização permanente até que o Paraná garanta orçamento real, políticas eficazes e o fim do feminicídio, porque viver sem violência é direito de todas as mulheres. 

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Fonte:appsindicato.org.br

Formação de educadoras auxilia no enfrentamento da violência de gênero

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