#Escola Particular

Plenária das Mulheres da Educação da APP-Sindicato organiza a resistência para derrotar os retrocessos e defender a escola pública


Em um momento decisivo para os rumos políticos do Paraná e do país, as trabalhadoras da educação deram uma demonstração contundente de organização e unidade de classe. Na noite desta sexta-feira (10), o Expotrade foi palco da Plenária das Mulheres durante a 9ª Conferência Estadual de Educação da APP-Sindicato. “A nossa luta é todo dia, somos mulheres e não mercadoria” foi o grito das mulheres que ecoou na plenária.

>> Receba notícias da APP no seu Whatsapp ou Telegram 

O encontro reuniu dirigentes, educadoras e educadores, militantes e outras vozes expressivas de todas as regiões do estado. O objetivo central foi organizar o coletivo para atuar na conjuntura política atual, transformando cada escola em um polo de debate e resistência contra o desmonte dos direitos sociais que impactam diretamente a educação pública e a categoria.

A plenária foi conduzida por essa  bancada de mulheres militantes: a secretária da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+ da APP-Sindicato, professora Tatiana Nanci da Maia; a presidenta da APP-Sindicato, professora Walkiria Mazeto; a secretária Educacional da APP-Sindicato, Cida Reis; a educadora Celina Wotcoski; e a advogada, assessora educacional da APP-Sindicato e representante da Marcha das Mulheres, Marilda Ribeiro. A discussão funcionou como um chamado urgente à ação. 

Tatiana destacou que a transformação real depende da conscientização e da mobilização no dia a dia da categoria: “Para que essa virada aconteça nas urnas em defesa da educação pública, precisamos de organização e ação coletiva na base. O nosso desafio agora é estruturar os coletivos regionais de mulheres em cada canto do Paraná e criar uma rede sólida de comunicação com a direção estadual. Vamos mapear as companheiras em cada escola para que atuem nos debates cotidianos, distribuindo materiais e desatando as amarras que ainda atrelam o voto de muitas mulheres às escolhas de seus companheiros. A nossa autonomia eleitoral começa no chão da escola”.

Walkiria ampliou o debate sobre o papel da conferência e a urgência de colocar a categoria na linha de frente da disputa institucional. “Esta conferência é um espaço fundamental de formulação e resistência para nós, mulheres. É aqui que conectamos as nossas pautas educacionais à necessidade urgente de ocuparmos os espaços de poder. Precisamos puxar a nossa categoria para a linha de frente da campanha eleitoral, mostrando que existem dois lados nítidos: um projeto político que nos acolhe, valoriza e fortalece os serviços públicos, e outro que nos bate, privatiza e adoece a classe trabalhadora”, disse a presidenta.

“Nós fazemos a escola. Somos majoritárias na categoria. Somos a maioria: professoras, pedagogas e funcionárias. Temos uma tarefa importante de fortalecer a nossa voz e para além da escola estarmos em outros espaços, como as igrejas, movimentos sociais, partidos e outros. Por isso, a importância da organização coletiva”, frisou Cida.

Essa atuação na escola ganha contornos ainda mais profundos quando se olha para as assimetrias que cruzam a categoria. Na sequência, Celina trouxe os recortes indispensáveis de raça, gênero e classe para o centro da plenária, conectando a mobilização ao calendário de lutas do Julho das Pretas. 

“Não podemos debater a atual conjuntura sem trazer a força do Julho das Pretas. As mulheres negras e trabalhadoras da educação enfrentam a dupla jornada, o racismo estrutural e a violência de gênero de forma ainda mais severa. A nossa organização nas escolas é o que vai garantir que o debate das eleições de 2026 dialogue diretamente com a realidade e com a emancipação de quem mais sofre com os desmontes do Estado”, pontuou Celina.

Marilda aprofundou o debate de conjuntura para o próximo período como momento indispensável para eleger mulheres do campo popular. “A nossa linha política precisa ser direta: mulher vota em mulher. Precisamos eleger companheiras que comungam do mesmo projeto de sociedade que defendemos. E, nos cargos em que não houver mulheres candidatas, nosso voto deve ir para homens que defendam integralmente o nosso projeto social, a classe trabalhadora e a educação pública e mais direitos para as mulheres. Precisamos eleger alternativas populares”, enfatizou a ativista.

Diante de uma categoria majoritariamente feminina, as lideranças reafirmaram que a escola é um espaço de disputa de narrativas e que a transformação social passa, necessariamente, pela politização e pela autonomia das mulheres nas urnas – a próxima eleição é no mês de outubro: “Nós somos mulheres e sabemos votar”, finaliza Walkiria.

Desatar amarras e organizar as escolas

Um dos pontos mais debatidos e aplaudidos foi a urgência de fortalecer a autonomia do voto feminino. A plenária alertou que, historicamente, muitas mulheres ainda reproduzem as escolhas eleitorais de seus companheiros, tornando fundamental o trabalho de conscientização política para que cada trabalhadora da educação e estudante compreendam o poder de sua própria voz e do seu voto.

Diante de uma categoria majoritariamente feminina, as lideranças reafirmaram que a escola é um espaço fundamental de disputa de narrativa e que a transformação social passa, necessariamente, pela politização e pela autonomia das mulheres nas urnas.

Para materializar essa mobilização, a Plenária das Mulheres definiu um plano de lutas e encaminhamentos práticos que serão levados para as direções regionais da APP-Sindicato:

Mobilização nos Núcleos Sindicais: Reunir imediatamente os coletivos regionais de mulheres para planejar as ações de agitação nas bases.

Mapeamento de lideranças: Identificar e articular companheiras em cada escola estadual e municipal para que atuem como referências nos debates cotidianos sobre as eleições de 2026.

Produção de conteúdo: Elaborar materiais pedagógicos e informativos voltados ao diálogo com a comunidade escolar sobre os temas propostos.

Rede de comunicação: Manter uma articulação permanente entre a secretaria estadual e os núcleos para sanar dúvidas, distribuir materiais e unificar a informação durante todo o período eleitoral.

A APP-Sindicato reafirma que a defesa da escola pública é indissociável da luta pela emancipação das mulheres. Ocupar as ruas e as urnas em 2026 é o caminho para barrar a privatização, a militarização e o arrocho salarial imposto pelas forças neoliberais.

Todos os materiais de apoio da 9ª Conferência Estadual de Educação da APP-Sindicato, incluindo o Caderno de debates, o Caderno de emendas, o Regulamento, as Conferências Regionais e as Conferências Livres podem ser acessados na íntegra por meio do link: https://appsindicato.org.br/9conferencia.

Confira a programação durante o final de semana 

Sábado – 11/07/2026

7h30 às 14h – Credenciamento

8h30 – Apresentação Cultural

9h – Organização dos trabalhos em grupo

9h30 – Trabalhos em grupo

Eixo I – Políticas Educacionais no Brasil e no Paraná 

Eixo II – Participação, Organização, Controle Social e Gestão Democrática da Educação 

Eixo III – Financiamento da Educação e Controle Social 

12h – Almoço

13h30 – Trabalhos nos grupo

Eixo V – Organização Curricular

  1. Educação Infantil
  2. Ensino Fundamental
  3. Ensino Médio 
  4. Educação Especial Inclusiva (EEI) 
  5. Educação de Jovens e Adultos (EJA)
  6. Educação Profissional (EP) 
  7. Educação do Campo, Florestas e das Águas, Indígena e Quilombola 

16h – Café

16h30 – Trabalho em grupo

Eixo IV – Valorização, Formação e Condições de Trabalho

  1. Professoras e Professores
  2. Profissionais do Processo Seletivo Simplificado (PSS)  
  3. Funcionárias e funcionários de escola 
  4. Aposentadas(os) da APP Sindicato: luta, resistência e valorização 
  5. Deficiência e prática pedagógica 
  6. Desafios da política educacional nas redes municipais
  7. Saúde e Previdência 
  8. Juventude Trabalhadora da Educação 

Eixo VI – Direitos Humanos, Diversidade e Igualdade

  1. Por Uma Escola Sem Machismo 
  2. Por Uma Escola sem LGBTIfobia 
  3. Por Uma Escola Sem Racismo 

18h30h – Confraternização /Jantar

Domingo – 12/07/2026

9h – Apresentação Cultural 

9h30 – Plenária Final / Apresentação da Conferência Infantil (Conferencinha)

13h – Encerramento / Almoço

:: Leia também

>> “Escola não é lugar de quartel”, afirma o educador Carlos Abicalil
>> Abertura da 9ª Conferência Estadual de Educação da APP-Sindicato reforça a necessidade de enfrentar ataques à educação
>> Categoria é convocada a participar das etapas regionais da 9ª Conferência Estadual de Educação da APP-Sindicato
>> Etapa regional da 9ª Conferência de Educação da APP-Sindicato mobiliza educadores(as) em todo o estado

 

O post Plenária das Mulheres da Educação da APP-Sindicato organiza a resistência para derrotar os retrocessos e defender a escola pública apareceu primeiro em APP-Sindicato.



Fonte:appsindicato.org.br

Plenária das Mulheres da Educação da APP-Sindicato organiza a resistência para derrotar os retrocessos e defender a escola pública

Vorcaro completa 15 dias preso na Papudinha

Plenária das Mulheres da Educação da APP-Sindicato organiza a resistência para derrotar os retrocessos e defender a escola pública

“Escola não é lugar de quartel”, afirma