Seed recebe prêmio de gestão criado pelo próprio governo, mas paga aos(às) professores(as) um dos piores salários do país
Enquanto os(as) educadores(as) da rede estadual de ensino do Paraná recebem um dos piores salários do país, o governo Ratinho Jr. faz festa e propaganda com os recursos públicos que deveriam ser aplicados na valorização dos(as) profissionais da educação. Em um evento realizado no final do mês passado, a Secretaria da Educação (Seed) foi anunciada como primeira colocada em uma das categorias do Sistema de Excelência em Liderança Orçamentária (SELO Paraná), uma espécie de competição criada recentemente pelo próprio governo para premiar as pastas com maior “excelência na gestão e execução orçamentária”.
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“A Seed recebeu o Selo Ouro, segundo os critérios de austeridade fiscal criados pelo governo, mas para quem está nas escolas e dentro das salas de aula, o brilho dessa medalha não se reflete no nosso contracheque. É por isso que seguimos lutando para denunciar a violência salarial deste governo. Enquanto o governador faz propaganda de que temos a melhor educação do país e o melhor Ideb, temos um dos piores salários do Brasil. Além disso, todas as demais secretarias do Estado têm salários maiores para a mesma jornada e mesma escolaridade”, critica a presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto.
Segundo matéria publicada pela comunicação estatal, o orçamento da pasta recebeu um salto 18%de (R$ 603 milhões) em 2025, na comparação com o ano anterior. Ainda em abril, o Governo do Paraná também celebrou que lidera, pelo segundo ano consecutivo, o recebimento da complementação Valor Aluno Ano Resultado (VAAR) entre as unidades da federação. O Estado já começou a receber os recursos do Governo Federal, que serão pagos em 12 parcelas mensais, totalizando R$ 620,6 milhões.

O VAAR é uma das políticas que compõem o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) para complementar o financiamento da educação nos estados e municípios. Uma das finalidades do recurso pode ser na remuneração dos(as) educadores(as). No entanto, dados do próprio governo analisados pelo economista da APP-Sindicato, Cid Cordeiro, mostram que quase a metade do dinheiro tem sido destinada para financiar a privatização da gestão de escolas, ao invés da valorização dos(as) educadores(as).
Cid explica que, dos R$ 530 milhões recebidos via VAAR em 2025, cerca de R$ 250 milhões foram repassados para empresas contratadas pela Seed por meio do programa Parceiro da Escola, representando cerca de 47% do montante total recebido. O governo ainda utilizou cerca de R$ 52 milhões para serviços de tecnologia da informação e comunicações. Dentro desse grupo, estão as plataformas digitais adquiridas sem comprovação de aprendizagem e que ameaçam a autonomia pedagógica dos(as) professores(as).
De acordo com o economista, o governo adota como política o investimento em plataformas e terceirizações, o que aprofunda o desmonte da oferta de políticas públicas educacionais no estado. “Os indicadores de qualidade da educação são construídos pelos educadores em sala de aula. Contudo, esse recurso extra está sendo drenado pela terceirização, o que precariza as relações de trabalho. O governo aproveita o bom desempenho da escola pública para alimentar um modelo que, paradoxalmente, tende a piorar a qualidade do ensino no futuro”, completa Cid Cordeiro.
Piores salários
Um levantamento realizado a partir de editais de concursos públicos e páginas oficiais do Governo do Paraná revela o descaso da gestão do governo Ratinho Jr. (PSD) com os(as) trabalhadores(as) da educação. Os números mostram os(as) professores(as) da rede estadual em último lugar na comparação entre servidores(as) do Poder Executivo com a mesma exigência de ensino e carga horária.
Enquanto um(a) advogado(a) do Estado, por exemplo, inicia sua carreira com vencimentos de R$ 32,1 mil, e outros(as) profissionais, como engenheiros(as), médicos(as) e psicólogos(as), ingressam recebendo R$ 7.997,72, o(a) professor(a) paranaense começa com apenas R$ 5.166,00 para a mesma jornada de 40 horas semanais. Em valores, a diferença salarial entre um(a) engenheiro(a) e um(a) professor(a) é de R$ 2.831,72, o que representa 35,41% a menos para os(as) servidores(as) que trabalham nas escolas.

Segundo a presidenta da APP-Sindicato, a carreira do magistério do Paraná é a única que ainda não passou por reforma durante a gestão Ratinho Jr. Por conta disso, o salário dos(as) professores(as) da rede estadual também figura entre os menores do Brasil.

A equiparação salarial dos(as) professores(as) com as demais carreiras do Estado com mesma exigência de ensino e jornada semanal é uma das pautas da campanha salarial deste ano reivindicada pela categoria. A demanda, no entanto, tem sido debatida com mais intensidade desde o ano passado, quando um grupo de trabalho, composto por dirigentes da APP-Sindicato e das secretarias da Fazenda, Educação e Administração e Patrimônio, elaborou uma proposta para implementação da medida.
Walkiria destaca que, durante as reuniões do grupo de trabalho, os recursos do VAAR foram uma das fontes apresentadas ao governo para viabilizar a proposta. “Comprovamos tecnicamente, nas discussões, que existem recursos suficientes para implementar o plano de equiparação ao longo dos próximos três exercícios”, explica. Mesmo com pareceres positivos de todas as secretarias envolvidas, o governador Ratinho Jr. não autorizou o envio do projeto de lei para votação na Assembleia Legislativa.
Luta continua
Para a dirigente, isso demonstra que a suposta eficiência celebrada pelo governo é construída a partir da violência salarial contra os(as) educadores(as), que amargam alguns dos piores vencimentos do Estado e do país, e ainda vivem um cenário de adoecimento mental coletivo aprofundado pelo modelo educacional do governo Ratinho Jr., baseado em metas de plataformas digitais, assédio institucional e esgotamento profissional.
Em resposta a esse contexto, Walkiria relata que a categoria deliberou em assembleia que, até o mês de agosto, o dia 29 de cada mês será dedicado a denunciar as violências do governo Ratinho Jr. e da gestão do secretário da Educação, Roni Miranda. O novo ciclo de lutas teve início no dia 29 de abril, data que marcou a memória dos 11 anos do Massacre do Centro Cívico.
O movimento busca contrapor a propaganda oficial da atual gestão, que apresenta o Paraná como a “melhor educação do país”. Professores(as) e funcionários(as) de escola denunciam os impactos das políticas de Ratinho Jr., destacando o avanço das privatizações, a militarização das unidades escolares e o crescente adoecimento mental da categoria, impulsionado pelo excesso de plataformas digitais e metas abusivas. Além das condições de trabalho, a mobilização aponta a desvalorização salarial e os danos à carreira acumulados ao longo dos últimos oito anos.
A pauta de reivindicações inclui o atendimento imediato dos itens da campanha salarial, com destaque para aprovação da nova carreira do magistério, com nova tabela salarial, ainda dentro do prazo eleitoral, o pagamento da dívida da data-base e a equiparação salarial para os(as) Agentes II e nova tabela salarial para professores(as) dentro do prazo eleitoral. A categoria reivindica também o fim da taxação previdenciária dos(as) aposentados(as) e a garantia de reposição salarial anual para aposentados(as) sem paridade.
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Fonte:appsindicato.org.br
























































































































































































































































































































































































































































































































































































































































